Desenhos de Shimamoto.

Estupendo trabalho de Shimamoto em "Sonhos Macabros". A qualidade desta e de outras histórias, criadas há mais de quarenta anos, não se baseava apenas na qualidade dos autores, mas no competente apoio dos diretores de arte.

Um dia, em 1958, um rapaz vindo de Borborema apresentou uma de suas histórias-em-quadrinhos a Miguel Penteado, em São Paulo. A avaliação foi franca: "Roteiro impróprio, veiculação de preconceitos racistas, desenhos inaproveitáveis, desproporcionais e sem nível técnico... mas o traço é muito bom!" Assim, Penteado incentivou o jovem Shimamoto a continuar praticando e a aperfeiçoar seu trabalho. Tempos depois, sensibilizado com a persistência do rapaz, Penteado o apresentou a Jayme Cortez, então diretor de arte da Editora La Selva. Mais tarde aconselhado por Penteado a se dedicar ao gênero Terror, Shimamoto surpreendeu a todos com a HQ "O Fantasma do Barba Azul", seu primeiro trabalho publicado pela Outubro. O contato com pessoas mestradas nas técnicas de desenho e reprodução fizera rapidamente despontar o gênio desse autor apaixonado pelos quadrinhos desde criança.

O próprio Jayme Cortez, orientador e formador de muitos desenhistas, relatou certa vez: "Meu primeiro desenho foi publicado no Pim-Pam-Pum, suplemento infantil do jornal O Século, de Lisboa. Eu não sabia nada de desenho, e mandei minha colaboração a lápis mesmo, pois nunca tinha ouvido falar em nanquim. Mesmo assim, eles publicaram". Também para Cortez, mestre idolatrado por gerações, o contato com gente experiente foi valioso. Ele dizia: "A Eduardo Teixeira Coelho, em Portugal, e a Messias de Mello, no Brasil, eu devo tudo o que sei de desenho".

A presença de um diretor de arte competente nas editoras era a garantia de que os autores, principalmente os iniciantes, tivessem um referencial de técnicas e recursos adequados para seu trabalho. Infelizmente, isso já não era regra mais tarde, nos anos oitenta. (Veja o texto Coincidências, de Olendino, e tire suas próprias conclusões.)

Desenhos de Inácio Justo.

Tema e ritmo cinematográficos em "A Prova de Balas", de Ignácio Justo.

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Abaixo: "Os Caçadores de Cabeças", por Luiz Saidenberg.
Desenhos de Saidenberg.
Abaixo: "Vampiro", por Zezo
Desenhos de Zezo.
Abaixo: "Criminoso de Guerra", roteiro de João Luís e desenhos de Walmir Amaral de Oliveira.
Desenhos de Walmir.

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