"Uiara".

Acima: anos 1960. Lyrio trabalha em uma ilustração, tendo como modelos sua esposa Ana e o amigo Waldyr Igayara. Abaixo, em outro estudo Heloísa, irmã de Ana e... sim, você já o conhece: o indefectível José Sidekerskis. Segundo Marcelo Aragão, Ana, Heloísa e Igayara foram os "modelos" mais usados por Lyrio em seus estudos.

"A Rejeição".

Abaixo: Saidenberg e Aragão (ambos com seus notórios óculos escuros) quando trabalhavam na Alcântara Machado Publicidade, em 1967.

"O Sacrifício".

Essa boa fase começaria a encontrar seu fim com a crise gerada pela oposição das editoras à aprovação da Lei de Nacionalização das Histórias-em-quadrinhos, a malfadada criação da ADESP e a ruptura entre os desenhistas. Pouco depois da saída de Saidenberg e Shimamoto do estúdio, ocorreu o fechamento do mercado de quadrinhos aos desenhistas nacionais, imposto pelas grandes editoras, e a experiência fracassada e polêmica da CETPA, no Rio Grande do Sul .
No início de 1963, Lyrio estava trabalhando na agência de publicidade McCann-Erickson, quando convidou Saidenberg, do qual estava havia meses separado, a lhe fazer companhia. Após um ano juntos fazendo story-boards os dois cederam seus lugares a Cortez e Shimamoto, e foram trabalhar como ilustradores no estúdio da Agência, travando assim um contato mais amplo com o mundo da publicidade. Saidenberg retribuiria mais tarde a gentileza de Lyrio, convidando-o a se juntar a ele como ilustrador na Alcântara Machado. Mas, ao contrário de outros quadrinistas que fizeram carreira na publicidade, Aragão nunca se adaptou ao ritmo louco e à pressão das agências. Era notável a transformação em seu temperamento e em suas reações. Pouco restara nele do "Conde Lyrio". Perdera lentamente o antigo brllho nos olhos e a revolta anárquica dos tempos do Martinelli, tornando-se calado e condescendente com os desmandos dos chefetes. Nos últimos dias do ano de 1968 foi visto vagando triste e solitário por lugares públicos. Na tarde do último dia daquele ano, Luiz Saidenberg estava sozinho em sua sala na agência Lintas, onde trabalhava, quando recebeu um telefonema de Lyrio. Os dois não se viam havia um bom tempo. Aragão voltara a trabalhar como policial no DEIC, e falou ao amigo de vários planos. Sempre tinha muitos planos, dos quais falava com entusiasmo, mas nunca levava adiante. No final da conversa fez um voto de Feliz Ano Novo, com sua peculiar ironia. Saidenberg teve um mal pressentimento. Na semana seguinte, passado o feriado, o telefone tocou novamente naquela sala. Saidenberg atendeu e, com um choque que jamais esqueceu, ouviu a viúva Ana comunicar a morte de Lyrio com um convite para a missa de sétimo dia. Lyrio Aragão Dias tinha levado adiante uma decisão definitiva: ele não viveria o ano de 1969. Até hoje, passadas três décadas e meia, sua morte provoca a mesma surpresa e incredulidade sempre que é lembrada pelos que o conheceram.
Recentemente, com a ajuda de amigos como Izomar e Rodolfo Zalla, Saidenberg conseguiu localizar os filhos de Lyrio: Maria Cristina, Marcelo e Marco. A esposa, Ana, infelizmente faleceu há alguns anos. Se estivesse vivo, Aragão teria hoje setenta anos de idade e três netos: um casal de filhos de Maria Cristina e uma filhinha de Marco. Marcelo, formado em jornalismo, após iniciar a carreira escrevendo roteiros para quadrinhos na Editora Abril, ingressou na publicidade. É hoje um redator de sucesso e colecionador de prêmios. Marco, que também trabalhou na Abril como desenhista, e também passou para a publicidade, tem hoje um estúdio de ilustração. Marcelo Aragão talvez não goste de usar óculos escuros, mas sem dúvida herdou a marca mais característica do pai: o mesmo amplo sorriso.

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