Como nós comentamos em outras ocasiões, o anos 70 e 80 foram para os quadrinhos, tanto lá fora quanto aqui no Brasil, o marco das histórias de terror e suspense. Revistas proliferaram, desde as mais pesadas como as da Warren, quanto as mais leves e de cunho um pouco mais politizadas. Assim, muitas editoras americanas apostaram neste filão, já que Tales of the Cript vendia horrores, impulsionada pela ferrenha censura da época. Assim, a Marvel Comics Group saiu na frente colocando no mercado muitos títulos de terror, certinhos, conservadores e por vezes até amadores, mas de grande qualidade.
A qualidade artística era invejável, sim com certeza, já que grandes desenhistas participavam das revistas: Sal Buscema, Gil Kane, Michael Ploog, Val Mayerik, Steve Ditko, Bob Brown, Howard Chaykin, entre outros. Argumentistas: Steve Gerber, Gary Friedrich, Doug Moench, Tom Sutton, Roy Thomas, etc., todos supervisionados pelo mago Stan Lee. Aproveitando esse universo sombrio, a Bloch Editores aproveitou o gancho para entrar nesse mercado, já que a Kripta da RGE começava a vender bem. Assim, nasceu o selo Capitão Mistério. Tentava-se assim, pelo menos aqui no Brasil, dividir as revistas em quadrinhos em três sessões, a infantil, com o selo Bloquinho, infanto juvenil, com a Bloch Infanto-Juvenil e a adulta, com o Capitão. Estava formada uma até duradoura parceria com a Marvel Comics, porque a Bloch já tinha sido uma das pioneiras a trazer os clássicos personagens da Casa de Idéias, como o Homem-Aranha e o Hulk e agora apenas alimentava ainda mais o seu mercado. Com certeza, as publicações da Marvel Terror (tendo lá fora como carro chefe The Tomb of Dracula, aqui no Brasil Tumba de Drácula) ainda estava longe de ser a referência, quando se fala de HQ de terror. A Warren Publishing ainda mantinha uma qualidade invejável.

A Tumba de Drácula foi um dos maiores sucessos, tanto nos EUA pela Marvel Comics, como aqui no Brasil. A Bloch Editores fazia questão de manter os textos o mais original possível, privilegiando a qualidade da publicação.
O que diferenciava as histórias e os personagens da Marvel Terror para as publicações de Tales of the Cript eram justamente o atributo editorial que davam a cada um deles. Enquanto em Tales, as histórias eram fechadas, com personagens adultos, horripilantes e que mostravam um universo além de sombrio, mórbido, a Marvel mantinha a tradição dos super-heróis. Um Lobisomem, Frankestein ou a Múmia, nada mais eram que um segmento do que se fazia com o Homem-Aranha e companhia. Só para exemplificar, o Frankestein de Gary Friedrich estava mais para anti-herói do que para monstro, ele parecia ser mais um Hulk, perdido em reflexões sobre si mesmo e com um futuro incerto.
O Lobisomem também, parecia um herói enfurecido, um Wolverine ruidoso, que tinha até um arquivilão, o Carrasco. Sem falar do Conde Drácula da Marvel, desenhado pelo nosso querido Gene Colan, que já chegou a lutar com todo o universo Marvel de super-heróis. E era isso que a Bloch Editores trouxe para o Brasil e nós, com certeza, agradecíamos, porque tínhamos a qualidade Marvel, para aquele filão que poliferava: a HQ de Terror.
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