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- Por Franco de
Rosa
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- Eu tive
o prazer de conhecer o José Lanzellotti e me lembro da tarde que conversei
com ele.
Foi com um grupo de amigos em 1972 ou 1973. Eu estava preparando um fanzine
junto com a turma da Livraria Gibi. Creio
que estavam presentes o Seabra, o Giovanni Danilo e o Silvestre Resende. Não
me lembro o bairro de São Paulo que Lanzellotti morava. Era uma casa
bem
espaçosa. Nós ficamos na varanda. Tinha um
clima de casa de campo. Lanzellotti na época dava aula na Escola Panamericana
de Artes. Contou-nos que era sertanista, que tinha trabalhado nas incursões
pelo amazonas com os Villas-Boas e que não podia mais voltar pra lá porque já
tinha esgotado sua cota de malária
adquirida.
Falou que tinha trabalhado no filme “O Cangaceiro” de Lima Barreto. Fez o
desenho de produção, e pesquisa de trajes e adereços. Revelou que a idéia de
fazer os chapéus de cangaceiros maiores e mais
enfeitados que o normal e mais alegóricos foi dele, pois o resultado plástico
era melhor. O que pode ser comprovado comparando-se as fotos reais de
cangaceiros com as cenas dos filmes e os desenhos de Lanzellotti para a
coleção folclórica que realizou para a Editora Três. Eu cultuava (e cultuo) os
trabalhos do Lanzellotti. Quando criança, eu e meus irmãos, ganhamos uma
coleção em
capa dura, com cinco volumes de uma obra que tratava de Lendas e histórias das
regiões do Brasil. O livro era narrado pelo Arrelia - o palhaço do programa
dominical da TV Record, Circo do Arrelia. E a coleção era toda desenhada em
crayon (quando em PB), e pintada com guache, por Lanz
ellotti.
Eu decalquei muitos dos desenhos dele. Creio que foi o primeiro artista a quem
estudei.
Sempre achei seus trabalhos difíceis e elaborados, bem barrocos. Sua obra tem
muito do Tarzan de Burne Hogarth, mas ele era um autor que usava muito modelo
vivo e idealizava figuras que possuíam muito dos traços dos índios.
- As
obras que conheço do Lanzellotti são: dois gibis de “Raymundo, O Cangaceiro” -
que foram lançados no final dos anos 50, e relançados nos anos 60 (quando eu
os adquiri), uma edição em quadrinhos de “O Curupira”, editada por
Salvador
Bentivegna, toda em cores, a coleção de Lendas da Editora Formar, a coleção
sobre Folclore, “Brasil, Histórias, Costumes e Lendas”, Editada sem parar
desde os anos 70 pela Editora Três.
- Se os
livros sobre quadrinhistas brasileiros falam mais alguma coisa sobre ele não
me recordo. Isso que relato aqui é de memória.
- Creio
que, quem nos conduziu até o Lanzellotti, foi o Mario Tabarini, quadrinhista e
ilustrador dos anos 50, que foi um
dos sócio-fundadores da Panamericana, com Manuel Victor Filho e
Henrique Lipsick. E só este último está vivo.
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- Nota do
Editor: José
Lanzellotti, desenhou várias capas de revistas nas décadas de 50 e 60, entre
elas, as da La
Selva : Terror Negro e Contos de Terror. Aqui no Nostalgia,
você pode encontrar algumas capas desenhadas pelo mestre.
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- Edição de
Ulisses Azeredo
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ascido
em 1956, Franco de Rosa começou a ler gibi aos cinco anos. Aos dez já
colecionava Tio Patinhas, Luluzinha, Bolinha, Tarzan, Zorro e Cavaleiro Negro,
os quais eram os seus prediletos. A partir de 1967 passou a se interessar por
gibis de terror da Taika: “Drácula”, “Cripta” (do Luchetti), “Naiara”, “Mirza”
e os heróis da Marvel,
- Quando
começou fazer fanzines e freqüentar o Clube do Gibi, conheceu Gedeone
Malagola, um dos seus autores favoritos e criador d’a “Múmia” e “O Lobisomem”,
em séries para a GEP; trabalho que muito admirava, pois os magníficos desenhos
de Sérgio Lima chamaram a sua atenção. Vinte anos depois, teve a honra de
editar suas obras e conviver com ambos.
No
Clube do Gibi conheceu Sebastião Seabra, com quem muito trabalhou e que ainda
hoje mantém grande amizade. Lamenta por residir distante e por não ter a
possibilidade maior conversação e até voltar a trabalhar em parceria, pois a
fragilidade do mercado não permite. Com Seabra fez tiras para jornais de
1974 a
1979. Depois solidificou-se uma carreira de parcerias, a começar pela revista
de humor “Klik” para a Ebal (1979), depois “Zorro Capa Espada” (Ebal de
1980 a
1982), quadrinhos eróticos para a Grafipar, ( 1980 a 1983), terror para “Calafrio”
(1984) e Press ( 1984
a 1987).
- Para
a Press, em 1984, o autor lembra que foi feita uma obra de terror que ainda
hoje permanece inédita. Escrita pelo próprio, com desenhos de Mozart Couto e
arte final de Seabra. Era uma aventura do “Zorro” capa e Espada.
- Além
do Seabra, trabalhou em parceria com muita gente boa da HQB: Moretti,
Nicoletti, Cassiano Roda, Brenda Chilson, Luiz Chilson, Jal, Gualberto,
Vilaça, Munhoz, Paulo Paiva, Novaes, Jô Fevereiro, Vilachã, Ronald Antonelli,
Gustavo Machado, Watson Portela, Claudio Seto, Itamar Gonçalvez, Bonini, Paulo
Yokota, Paulo Hamasaki, Danilo Fonseca, Mozart Couto, Gilvan Lira, Colonnese e
Wanderley Felipe.
- Franco
ressalva que não deve ter realizado mais do que 20 histórias do gênero de
horror, mas com certeza, o clima sobrenatural das histórias folclóricas de
assombração, está sempre presente em suas narrativas, principalmente nas
histórias infantis. O jeito de narrá-las, sempre com certo suspense, traz da
sua infância. Foi junto com os irmãos e primos que ouvia a sua avó Alzira
contando histórias de assombração. Ela tricotando e eles, sentados no sofá da
sala, devorando uma caneca de leite quente e uma papa de pão dormido. Sua avó
tinha sido criada na roça, vivia com os irmãos e o marido tropeiro. Tinha ela,
histórias fabulosas da cultura oral, com ele mesmo fala: “Suas histórias de
fantasmas de escravos negros me arrepiam ainda hoje, quando me vem na
lembrança, tenho algumas delas anotadas em rascunho, que espero ainda
um dia poder transformar em HQ ou contos
ilustrados.”
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- Editado Por
Ulisses Azeredo
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lvaro
de Moya nasceu na cidade São Paulo em 1930. É um jornalista, escritor,
produtor, ilustrador e diretor de cinema e televisão. É considerado por
alguns, como o maior especialista em histórias em quadrinhos do Brasil.
- Professor
aposentado da Universidade de São Paulo, foi um dos organizadores da Primeira
Exposição Internacional de Quadrinhos (junto com Jayme Cortez, entre outros),
em 1951, em São
Paulo. Além de ser a primeira exposição de quadrinhos da
história do Brasil, foi de ineditismo também para o mundo.
- Representou
o Brasil em vários congressos sobre quadrinhos no mundo, como em Roma, Buenos
Aires, Nova York e em Lucca, um dos principais do mundo. Correspondente da
revista Wittyworld, dos Estados Unidos, foi colaborador de enciclopédias
editadas na França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Escolhido pela
Universidade La
Sapienza , de Roma, foi o único representante da América
Latina em evento realizado na Itália, visando discutir o centenário dos
comics.
- Já
fez também charges e ilustrações com temáticas nacionalistas. Na Editora
Abril, fez capas para as revistas O Pato Donald e Mickey.
- Seu
livro, Shazam!, de 1970, é, sem sombra de dúvida, o maior livro sobre
quadrinhos do país. O livro não se resume apenas a fazer um pesquisa sobre a
história dos HQs, mas conta com a colaboração de especialistas que debatem
acerca da influência pedagógica e psicológica dos quadrinhos e a sua
influência na cultura, tratando as HQs não somente como puro entretenimento,
mas sim como um meio de comunicação que merece atenção por parte dos
acadêmicos.
Condensado
e editado sobre texto de Wikipédia
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- edeone
Malogola nasceu em São
Paulo , a sete de julho de 1924. Estudou desenho com seu pai
Antonio Gomide, começou, como quase todo mudo, copiando os desenhos de Alex
Raymond, então publicados no saudoso Suplemento Juvenil.
- Iniciou-se
profissionalmente desenhando humor para o tablóide humorístico “A Marmita” que
se publicava na capital paulista na década de 40. Depois aventurou-se nos
quadrinhos começando no Cômico colegial, de Auro Teixeira, passando logo a
seguir para outras editoras e publicações como Novo Mundo, Júpiter, Juvenil,
Vida Infantil, Edições paulinas, Editora Continental (depois Outubro), Mec,
Taika e inúmeras outras.
- Na
sua colaboração continua, para estas e outras editoras, teve a oportunidade de
escrever, desenhar, ou ambas atividades, em personagens tão marcantes como
Lobisomem, Múmia, Drácula, Rio Negro, Homem Lua, UK e Uka e inúmeras outras
criações.
- Alem
de suas criações originais, coube a Gedeone continuar personagens americanos
como Juju Faísca, Homem Mosca, Lili, modelo,
e Thor de Joe Kubert.
Preferindo
o desenho de estilo limpo e sem grafismo confuso, Gedeone naturalmente tem
como seus preferidos os desenhistas Frank
Robbins, Milton
Caniff e seu mestre Noel Sickles, Romero (“ex” de Modesty Blaise), Russ
Manning, Wallace, Wood (recentemente falecido), Paul Neary, will Eisner, Paul
Norris, Ken Bold e inúmeros outros.
- Dos
que aqui trabalham destacam-se, entre outros, Edmundo Rodrigues, Eugenio
Colonnese, Seto, Rodval Matias, Walmir de Oliveira, José Menezes, Sérgio Lima,
Waldir Igayara e o falecido Nico Rosso.
- Ultimamente
quase deixou de desenhar, continuando apenas como roteirista, especialidade
com que vem colaborando em nossa editora.
Por
Reinaldo de Oliveira
in memoriam

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enedicto
Ignácio Justo de Siqueira, publicou sua primeira HQ, "Aventuras de Paulinho"
(homenagem a um primo), em 1942, pouco antes de completar 10 anos de idade, no
Suplemento Juvenil, de Adolfo Aizen. Desde então, manteve-se, até 1959,
desenhando como simples passatempo. Todavia, quando conheceu Nico Rosso, que o
apresentou à Editora Continental, começou a ganhar dinheiro pelos seus
trabalhos, fazendo quadrinhos de guerra e terror, passando a conviver com
artistas que, como ele, se consagrariam: Shimamoto, Delbó, Jayme Cortez,
Getúlio Delphin, Igayara, Osvaldo Talo, Maurício, Gedeone, Izomar, Colonnese,
Zalla e Lyrio Aragão, entre outros.
- Seu
espírito guerreiro o faria, a partir de então, encetar uma malograda campanha
pela nacionalização das HQ, que resultou num cisma. Na editora, permaneceram
ele, Rosso e alguns desenhistas iniciantes.
Ingressou,
em 1954, na Infantaria do CPOR (Curso de Preparação de Oficiais da Reserva),
de São Paulo, de lá saindo como tenente. Não prosseguiu na carreira militar,
porém, apaixonou-se por aviação. E em 1956 entrou para o Aeroclube de São
Paulo, tendo se aprofundado nos estudos da aviação mundial – suporte para suas
histórias de guerra – e feito muitos vôos pelo Brasil.
- Sempre
manteve nas suas HQ, a despeito de quaisquer governos, suas mensagens de
humanismo, em todos os seus traços e tramas, desde o gênero de guerra ao
terror, como se comprova nos trabalhos publicados em todas as editoras que
desfrutaram dos seus excelentes trabalhos, como a Taika, a Pan Juvenil, a
Edrel e a Abril, com fartas informações políticas, realistas e didáticas,
revolucionando a narrativa das histórias em quadrinhos, inclusive, desenhado
histórias "sem quadrinhos", isto é, sem contorno nas montagens dos quadros,
fato que aconteceria com bastante freqüência nas HQ modernas dos super-heróis
americanos, já na era da computação gráfica. Quando deixou de desenhar para a
Editora Taika (que sucedeu a Outubro, sucessora da Continental), em 1971,
tornou-se um dos principais colaboradores da MEC, de Minami e Cunha, egressos
da Edrel.
- Foi
responsável, direta ou indiretamente, pelo lançamento de dezenas de artistas,
que se alimentavam, artística e culturalmente, das suas aulas no estúdio que
chamava de "barraco", como: Pedro Mauro Moreno (há anos, radicado nos Estados
Unidos), Salathiel de Holanda, com quem fez "Samurais" (Combate nº 30, Taika,
s.data), Natanael Fuentes, José Luiz Pinto, Egberto Barbosa, Lincoln Ishida,
Aparecido Cocolete, Wanderley Felipe, Antônio Fernandes Filho (Tony
Fernandes), Agenor Silva, Ingo Passolde, Alcione Arauda (publicitária) e
Marcos Silva (ilustrando na Espanha), entre outros.
- Com
um trabalho alicerçado nos claros-escuros, nas consistentes pinceladas e nos
vigorosos traços, que marcariam seu estilo inconfundível, fez centenas de HQ,
de todos os gêneros.
- Artista
culto e de grande discernimento, comanda seus traços de acordo com a
necessidade da obra, como na suavidade da excelente obra sobre histórias do
Exército, Marinha e Aeronáutica brasileiros, publicado no Almanaque Disney
(Editora Abril, 1972
a 1973), ou como nos cartuns feitos para ilustrar piadas
de revistas da Editora Edrel, em 1970, mostrando-se eclético e desenvolto,
como poucos. (Desenhou, também, histórias de samurais, de folclore e de ficção
científica).
- É
especialista em anatomia (humana e animal), material e assuntos bélicos, desde
armamentos medievais a modernos aviões de bombardeio, qualidade destacada no
livro "A Técnica do Desenho", de Jayme Cortez.
- Seu
trabalho foi levado a Okaido (Japão), na década de 1980, por Kaioko Ogawa,
tornando-se o grande destaque. Fez as mais belas e fascinantes histórias de
guerra do acervo quadrinhístico nacional, narrando desde as tramas mais
fantásticas às mais realistas da Força Expedicionária Brasileira, na campanha
de Monte Castelo, Itália, na Segunda Grande Guerra Mundial.
Site
do Artista: http://www.ignaciojusto.hpg.ig.com.br
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ezo,
ou José Rivelli Neto, foi um dos melhores desenhistas do território nacional.
Isso pode ser uma frase vazia e repetitiva, mas no caso de Zezo é uma grande
verdade. Com traços simples, limpos e modernos (para o final dos anos 1950),
muito influenciados pelo grafismo da propaganda, Zezo desenvolveu um estilo
único entre os quadrinhistas da época.
Nascido
em São Paulo, em 20 de
fevereiro de 1929, iniciou seu trabalho em uma pequena agência de publicidade
em 1953. Dois anos mais tarde, começa a publicar HQs na editora
La Selva.
Histórias de cowboy, românticas e infantis, mas
principalmente de terror. Eram HQs avulsas e de, geralmente, oito páginas,
sempre explorando bem as possibilidades do claro e escuro, das formas e
sombras, que adquiriam vida própria, num estilo marcante.
- Zezo
produzia de 20
a 30 páginas por mês, com desenho e arte-final,
utilizando desde o pincel até a pena (tendo inclusive fabricado sua própria
pena de bambu). Já as capas, sua marca registrada e sua produção mais
destacada, eram em média de dez por mês, pintadas e assinadas.
- Nos
quadrinhos de terror o destaque fica para os 12 números da revista
Frankenstein (1960 e 1961). Criado em cima de um pré-roteiro (na verdade uma
sinopse) desenvolveu um personagem onipresente, que muitas vezes só aparecia
no final da história. Explorando a ambientação da Alemanha no final do século
19, trabalhava com a atmosfera daquele país, colocando o personagem como um
produto do meio em que foi criado, não como um monstro, tornando a série uma
das melhores adaptações do clássico.
- Zezo
criou capas para revistas da Editora Outubro e para livros da Editora do
Brasil. Saindo do gênero terror, José Rivelli Neto criou um personagem
aventureiro para o Jornal Juvenil, entre 1961 e 1962, chamado O Tubarão
Voador. Publicou também uma aventura de ficção espacial chamada Rumo ao
Infinito, publicada no Jornal Juvenil nº 9 (novembro de 1962) e posteriormente
vendida em tiras pela distribuidora de Mauricio de Sousa.
- Em
1963 entra para a empresa Duratex, na área de propaganda, na produção de
folhetos e cadernos de instrução técnica. Nesse período profissional
direcionou sua criação para o traço caricato e de humor. Na revista Serrote
(de circulação interna e entre os distribuidores da empresa) ilustrou matérias
sobre marcenarias e carpintaria, e criou personagens como Chico Minhoca, um
tipo caipira que contava as vantagens dos produtos da empresa de forma cômica.
Outro personagem era Bola Tudo - sempre inventando alguma coisa usando os
produtos Duratex - e Mutuca, companheiro de Chico Minhoca, que acabaram tendo
uma edição especial colorida, em 1966: Dois Batutas no Serrote.
- A
partir daí, Zezo ficou mais vinculado à seção administrativa da empresa
(chegando a ser diretor da área de propaganda) e se desligando dos quadrinhos.
Seu mais recente trabalho foi na a tira Rinoboy, publicada na revista interna
dos funcionários, a Revista da AED, entre 1976 e 1977. Era uma sátira juntando
dois elementos: o rinoceronte (símbolo da Duratex) e os uniformes dos
super-heróis.
- Zezo
faleceu no final da década de 1980, deixando uma produção excepcional, tanto
em qualidade artística como em quantidade (nos tempos da La Selva chegou a produzir
cerca de cem capas por ano), mas nunca deixou de lado o prazer de criar uma
HQ. Embora pouco conhecido pelos leitores de quadrinhos, foi - juntamente com
Jayme Cortez e Miguel Penteado - um dos melhores capistas de terror nacional e
que marcou um breve, mas importante, período de nossa produção quadrinizada.
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- Esta
biografia foi publicada anteriormente no site Bigorna
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Por
Worney Almeida de Souza
Artigo publicado originalmente
na revista Pau Brasil #5 (1993) e
transcrito
com autorização do autor.
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iguel
Falcone Penteado foi operário, impressor, desenhista, editor e industrial
gráfico. Seus primeiros trabalhos, depois de um laborioso aprendizado, foram
para a Editora La
Selva em seus começos, por volta de 1950.
- Ao
mesmo tempo em que fazia capas para “Seleções Enigmáticas” e ilustrações de
contos para a revista “Gilda”, também livros para a Editora do Brasil,
trabalhando em conjunto com Álvaro de Moya, Silas Robert e Jayme Cortez.
- Com
essa turma, mais Reinaldo de Oliveira, foi um dos organizadores da famosa “1ª
Exposição internacional de Histórias em Quadrinhos”, inaugurada em 18 de junho
de 1951.
- Como
impressor de uma pequena máquina “Multilith”, onde se imprimia ale de outros
serviços, cartões humorísticos coloridos, cujas seleções de cores fazia “a
unha”, como se dizia nos meios gráficos, Penteado aprendeu a manejar as cores
como elas deviam ser manejadas. O que lhe valeu muito no futuro, tanto para
executar primorosas guias de cores como a Editora Abril (Fase do Raio Vermelho
com capas fotográficas com o “Cara de Pau” Arizona Kid) como, posteriormente,
em sua fase de industrial gráfico e editor.
- Também
como desenhista fez capas para a Aliança Juvenil, uma proposta editorial da
época que não vingou. Suas melhores capas são da Editora Novo Mundo, onde
abandonando o indefectível “John Wayne”, cujas capas fazia para e Editora
La Selva.
Mergulhou com prazer em todos os gêneros, especialmente no
Terror. Chegou a pintar capas a óleo por puro deleite já que, como sempre, o
preço que se podia pagar por um original em uma editora pequena, mal dava para
cobrir o custo do material.
- Associando-se
com Victor Chiodi, Cláudio de Souza, Heli Otávio de Lacerda, Arthur de
Oliveira, José Sidekerskis e Jayme Cortez, funda a Editora Continental, logo
depois denominada Editora Outubro, onde fez trabalhos belíssimos.
- Esta
Editora que tinha um “Staff” de, quase 50 profissionais entre roteiristas,
letristas, desenhistas e capistas, editava unicamente revistas nacionais.
Estava sempre na crista da onda.
- Entre
os seus desenhistas estavam Nico Rosso, Sérgio Lima, Aylton Thomaz, Juarez
Odilon, Julio Shimamoto, Lyrio Aragão, Flávio Colin, Getúlio Delphim, José
Lanzellotti, João Batista Queiroz, Manoel Ferreira, Orlando Piazzi, Luiz
Saindemberg, Isomar Guilherme, Waldir Igayara, José Bento, Almir Bortolassi,
Wilson Feranandes, Ignácio Justo, Antonio Duarte, Paulo Hamasaki, Maurício de
Souza em seus começos, Eduardo Barbosa, etc. Havia uma equipe de roteiristas
também. Entre eles Hélio Porto, Cláudio de Souza e Waldir Wey.
- Tempos
depois Miguel Penteado, deixa a Outubro e funda junto com Luiz Vicente Neto, a
GEP (Gráfica e Editora Penteado). Nos primeiros tempos apenas para imprimir
serviços de terceiros e logo depois de um intervalo, em que a gráfica passou
para a Editora Giroflê, voltou a o campo editorial lançando: Estórias Negras,
Esporas de Ouro, Raio Negro, Diário de Guerra, Salão de Barbeiro, Ria-Já,
Múmia, Histórias Diabólicas, Pele de Cobra, Superargo, Fantar, Joe Comanche,
Mundo de Gigantes e outras.
- A
inflação, a invasão erótica e a censura foram três empecilhos para a
continuação da Editora. As revistas foram desativadas. A parte gráfica
continuou por algum tempo, até a aposentadoria de Miguel Penteado.
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Por
Reinaldo de Oliveira
in
memoriam
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ascido
em Juiz de Fora, Minas Gerais, Mozart Cunha do Couto, ou Mozart Couto, como é
conhecido, começou a atuar profissionalmente em 1979, como ilustrador e autor
(desenhista, argumentista e roteirista) de histórias em quadrinhos. Produziu
para diversas editoras do eixo Rio-São Paulo, entre elas, a Revista “Calafrio”
de Rodolfo Zalla, recebendo, em 1986, o Troféu Ângelo Agostini, da Associação
de Quadrinhistas e Cartunistas de São Paulo, como melhor desenhista.
- Em
1988 começou a exportar seus trabalhos para a Europa, onde foram
publicad
os
álbuns de Histórias em Quadrinhos
e tiras de jornais; algumas dessas publicações com circulação na Bélgica,
França, Alemanha,
Dinamarca e Holanda. Em 1993, entrou no
mercado
norte americano colaborando em revistas das editoras Marvel Comics, DC Comics,
Acclaim Comics, Dark Horse e Image,
desenhando conhecidos personagens como Mulher Maravilha, Thor, Hulk, Elektra,
Turok, Glory, Gamera, e outros.
- Atualmente
Mozart tem se dedicado mais à ilustração. Sua produção
é dirigida para livros didáticos; para-didáticos; literatura em geral; livros
de RPG; capas de CDs; histórias em quadrinhos promocionais; criação de
personagens para diversos fins e outros. Entre seus clientes
contam-se editoras como FTD, Saraiva, Ática, Melhoramentos, Paulinas, Editora
Record, Ave-Maria, Moderna, Scipione.
- Foi
ganhador, com o livro "Nosso Folclore" (editora Ave-Maria), do Prêmio Jabuti -
"melhor livro didático de 1999" - e, em 2000, do certificado "altamente
recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Infanto-Juvenil pelas
ilustrações no livro "A Carta De
Pero Vaz de Caminha", da Editora Moderna.
Biografia
cedida pelo Artista
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- ebastião
Rodrigues Seabra nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 12 de maio de
1958. Durante toda a década de 1960 ele (e toda sua geração) sofreria a
influência tardia do rock and roll, dos seriados do cinema e da recente TV da
efervescente década anterior. Já em idade pré-escolar, desenha com entusiasmo
em toda folha de papel que encontra. Um desenho que faz com freqüência, nesse
período, é do grupo inglês The Beatles. Tosco, é claro, como convém a um
desenho de garoto nessa idade.
- Nesse
período, seu irmão mais velho chega em casa e joga na mesa da sala um exemplar
do número um da recém editada revista O Tio Patinhas. Seabra fora fisgado.
Nunca em sua vida havia visto uma revista em quadrinhos. A paixão
fulminante pela revista com personagens da Disney vira infidelidade quando ele
conhece revistas juvenis tipo O Fantasma, Zorro (Lone Ranger) e Sargento Rock.
As histórias do Espírito que anda, as do Cavaleiro Solitário e os desenhos
maravilhosos de Joe Kubert lhe tiram o sono. É prazer permanente. Quando
surgem os super-heróis da Marvel, é overdose total. Estava decididamente
fadado a ser um cara feliz em tempo integral. Copiava tudo o que lhe caia nas
mãos.
Em
1969 se muda com a família para a capital São Paulo e, em 1972, influenciado
pelas leituras sobre desenho, e buscando ansiosamente aprender mais e mais,
compra um exemplar de Desenho e Anatomia, do americano Victor Perard. Estuda
anatomia humana com afinco e se torna fã incondicional de todos os grandes
anatomistas e de todos os grandes artistas dos comics clássicos e dos
fantásticos desenhistas modernos dos comic books.
- De
1974 até 1978 publica a tira diária Capitão Caatinga com seu parceiro Franco
de Rosa no jornal Notícias Populares. Publica também, nesse jornal, uma tira
cômica (Chucrutz) e uma página de romance em quadrinhos. Em 1979 faz
Zorro, capa e espada para a lendária editora EBAL, do Rio de Janeiro. Nos anos
seguintes cria HQs eróticas para a Grafipar de Curitiba e, depois disso,
colabora para praticamente todas editoras paulistas de HQ, mais algumas
didáticas, ilustrando livros de história, português e inglês; além de fazer
desenhos para agências publicitárias (cria o SuperHonda), entre outros
trabalhos.
- Em
1983 volta para Araraquara e passa a editar uma página semanal sobre HQ e
cultura pop. Publica contos eróticos nas revistas Hot Girls e Contos
Excitantes, da Noblet, desenhando também muitas HQs para essa editora.
Colabora com mais afinco para o mercado publicitário e desenvolve um trabalho
paralelo de charge política e caricatura para os jornais e revistas de lá.
Transforma-se, à revelia, num cartunista. Em 1986 ganha o prêmio Ângelo
Agostini, como melhor desenhista do ano e em 1990 cria para a editora Phenix
talvez seu personagem mais conhecido: o Vingador Mascarado.
- Também
em 1990 começa a publicar na Europa, através de uma agência belga, os álbuns
Rose, A Mulher Gato, A Volta da Mulher Gato, John Àskesis e A Porta Dourada,
todos de sexo e aventura. Nos anos seguintes, publica pela editora Escala Como
Desenhar Mulheres e A Figura Masculina e desenvolve um Curso de Desenho,
passando a lecionar em Araraquara.
- Atualmente
Seabra vive de suas aulas de desenho e eventuais trabalhos de arte em geral
(HQ, publicitário, ilustrações, etc.), enquanto produz febrilmente uma
infinidade de HQs de aventuras, aguardando com paciência e otimismo que esse
lamentável mercado de quadrinhos dê a volta por cima e passe a publicar
material nacional.
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- Publicado
originalmente no site Bigorna
Biografia
cedida pelo próprio Artista
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- á
alguns meses, milhares de pessoas lêem o seu nome e até ouve a sua voz. Na
Internet, o site Nostalgia do Terror resgata com sentimento os quadrinhos do
gênero. Com ele a misteriosa figura tornou-se uma referência.
- Caveirinha
Sombrio: Editor? Mascote? Cognome? Quem é ele? Ele existe ou é uma criação?
Será uma personagem como todos pensam? Muitos juram que é o próprio Editor
Ulisses Azeredo. Resolvi, de fato, tirar a dúvida! A conclusão segue.
- Fui
até o seu local do seu Trabalho. Ali foi construído o site Nostalgia. Vou
tentar entrevistá-lo. Chegando, vi que é um local de boa aparência, limpo e
todo organizado. Quando adentrei, observei uns quinze computadores. Notei que
se tratava de uma escola de informática, sim isso mesmo, uma escola. O
professor me atendeu. Era o Ulisses Azeredo. Agora sei que ele ministra aulas
na área. Ele conversou de forma simpática comigo e falou que o Caveirinha
estava na sala ao lado. Ele abriu a porta e eu entrei. Outra sala, grande e
perfumada. Esta tinha quatro computadores e ao entrar, vi sim, um sujeito
claro de cabelos castanhos e com uma boa estatura. Ele cumprimentou-me e foi
muito educado ao receber-me.
- Se
essa pessoa é o Caveirinha não sei, mas ele se passa pelo tal. Também foi
atencioso, mas pareceu-me preocupado. Falou-me que o provedor local estava com
problemas e que a página do Nostalgia não estava acessando. Caveirinha falou
sobre a dificuldade, há pouco para o Ulisses é lógico, ele não gostou.
- Ulisses
deixou os alunos na sala ao lado com a secretária Angelma Oliveira e veio
falar com o Caveirinha. Eu realmente não acreditava, mas ele o chama de
Caveirinha mesmo! Ao entrar foi logo falando:
- -Caveirinha,
de novo? que merda rapaz. Desse jeito não tem como adicionar as biografias dos
artistas.
- O
Caveirinha foi logo emendando:
-Pois
é Ulisses, nem o FTP funciona. Tá feio mesmo.
- Notei
que ambos se respeitam muito. Nem precisou o Ulisses dizer nada. Enquanto
saía, o mascote materializado, pegou o telefone e ligou para o provedor de
acesso local. Foi duro nas palavras e pediu providências, pois não é primeira
vez que acontece isso. Identificou-se para a secretária do outro lado da linha
bem baixinho para eu não pudesse ouvi-lo, mas no fundo já o identifiquei. Por
ética, não posso falar. Foi também o acordo para publicar esta matéria.
- Enquanto
não se acessava e trabalhava nas transferências do site, Caveirinha Sombrio,
assim chamado, separava o material virtual e scans no 3º PC. Com voz calma
disse-me que era amigo do Ulisses há 25 anos e que tinham muito em comum,
principalmente quadrinhos do gênero terror. Falou que foi o Ulisses que passou
a chamá-lo assim. Gostei da brincadeira e passei a responder e-mails dos
nossos internautas com esse pseudônimo, diz Caveirinha, sorrindo. Na ausência
do Ulisses, é o próprio Caveirinha que separa e às vezes edita o material. A
revisão fica sempre a cargo do Ulisses, pois sempre gostou de escrever.
- Quanto
às imagens do Caveirinha que constam no site, foi o próprio que convidou
artistas para a empreitada. (embora pensassem ser o Ulisses) Ronilson Freire,
um dos amigos do Ulisses foi um dos primeiros e depois o Mozart Couto apreciou
a idéia. E aí muitos entenderam e gostaram da brincadeira. Segundo o próprio
Caveirinha, a campanha foi um sucesso. Pena que, como ele mesmo fala, não pode
editar todos os desenhos que chagam.
- O
nosso amigo Caveirinha disse também que todo o lay out do site e construção,
ficaram por conta do Ulisses, que teve que aprender na marra para não passar
vergonha. Os retoques finais e algumas idéias são suas.
- São
18:00 hs e o site retornou ao seu acesso normal. Ulisses já entrou na sala.
Tranqüilo, “senta” no seu Servidor e vai observando o material. Chama o
Caveirinha o tempo todo e observa que a seção “Correio do Terror” teria que se
alterada há mais tempo... Caveirinha sorri e abre em rede o arquivo original e
vai separando os e-mails recebidos. Eles vão editar e-mails e respondê-los na
seção, como feito nos Gibis. Bons tempos.
- Bem,
saí de lá alegre e reflexivo: duas pessoas, em uma pequena cidade, comandam um
site com paixão. Muitos países já o visitaram e viram este trabalho. Li alguns
e-mails: norte-americanos, ingleses e até dos nossos irmãos portugueses. Em
nosso país observo talvez um reconhecimento do trabalho, pois o site foi
indicado ao HQ MIX e alguns colegas são solidários. Mas poderiam fazer mais, a
começar pela cidade em que eles residem atualmente. Muitos simplesmente
ignoram o Trabalho apresentado. Pelo menos, até agora. Quanto à
entrevista?!!... Realmente, esta é uma outra história.
-
Nefasto
Itiúba
Correio Itiubense
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